Eis as grandes vencedoras no colapso dos preços do petróleo: fabricantes de pneus

Notícia publicada dia 24/08/2015

Javier Blas - 12/08/2015 12h22

Poucas empresas industriais vão comemorar a queda dos preços do petróleo para menos de US$ 50 por barril mais do que as maiores fabricantes de pneus do mundo.

Para várias empresas, como a Bridgestone Corp., a Michelin Cie, a Goodyear Tire Rubber Co., a Continental AG e a Pirelli C. SpA, os preços mais baixos da energia não significam apenas uma borracha sintética mais barata, mas também uma maior demanda, pois os motoristas dirigem mais.

"Estamos em uma espécie de momento ideal agora", disse o diretor financeiro da Continental, Wolfgang Schäfer, aos investidores no dia 4 de agosto, depois de anunciar que os lucros deram um salto de 25 por cento no segundo trimestre em relação ao ano anterior.

Os investidores parecem concordar: as ações das cinco maiores produtoras de pneus vêm tendo ralis desde que os preços do petróleo começaram a cair. Considere a Goodyear, a maior produtora de pneus dos EUA. Suas ações subiram 25 por cento durante o ano passado, ao passo que o índice S&P 500 - afetado pelas produtoras de petróleo - subiu 7,4 por cento no mesmo período.

Segundo a Rubber Manufacturers Association, uma associação do setor, são necessários cerca de 26,5 litros de petróleo para produzir suficiente borracha sintética para fabricar um pneu. O custo do petróleo bruto Brent, uma referência mundial, caiu 51 por cento nos últimos 12 meses, para menos de US$ 50 por barril.

"As margens das fabricantes de pneus estão se expandindo devido aos preços baixos da borracha sintética e da natural", disseram Kevin Tynan e Tanner Murphy, analistas da Bloomberg Intelligence, em um relatório.
A margem bruta do setor aumentou para quase 27,5 por cento no primeiro trimestre, a maior taxa em pelo menos quinze anos, segundo dados compilados pela Bloomberg Intelligence.

Preços baixos

Os preços baixos do petróleo têm outro efeito indireto: a gasolina e o diesel mais baratos implicam que os motoristas dirijam com mais frequência e percorram uma distância maior.

Os motoristas dos EUA reagiram de forma particularmente forte aos preços mais baixos do combustível. Em maio -último mês com dados disponíveis - eles percorreram 442,73 bilhões de quilômetros, batendo o recorde estabelecido em agosto de 2008, logo antes do espalhamento da crise financeira mundial, segundo dados do governo dos EUA.

"Projetamos que o número de quilômetros dirigidos vai aumentar", disse o CEO da Goodyear, Richard J. Kramer, aos investidores no dia 29 de julho. "Isso significa que mais borracha está sendo gasta na estrada".

Fonte: http://economia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2015/08/12/eis-as-grandes-vencedoras-no-colapso-dos-precos-do-petroleo-fabricantes-de-pneus.htm

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