Governo chinês planeja importar US$ 10 tri em 5 anos

Notícia publicada dia 25/07/2016

A China diz que continuará importando muito do resto do mundo e investindo bastante no estrangeiro, ao mesmo tempo em que se ajusta a uma era de "novo normal", caracterizado por crescimento econômico mais fraco, porém mais estável. No exame da política comercial chinesa, realizado ontem na Organização Mundial do Comércio (OMC), a delegação enviada por Pequim reafirmou o plano do governo de fazer, nos próximos cinco anos, importações de US$ 10 trilhões de mercadorias, investimentos externos de US$ 500 bilhões e ter mais de 500 milhões de chineses viajando para o exterior. Foram feitas 1.800 questões por 34 países-membros. Num cenário de desaceleração global, os parceiros se interessaram em detalhes de como Pequim vai manter-se como um motor central da economia global. O secretariado da OMC observou em relatório que, mesmo que a China continue sendo o maior comerciante do planeta (na soma de exportações e importações), o fluxo de comércio do país, em particular as importações, caiu bastante nos últimos dois anos. Em 2015, a China importou US$ 280 bilhões a menos do que no ano anterior, totalizando US$ 1,680 trilhão - em 2014, esse valor chegou a US$ 1,960 trilhão. As exportações recuaram menos, de US$ 2,340 trilhões para US$ 2,280 trilhões. A contração das importações em valor é resultado, em parte, à baixa dos preços do petróleo e de outras commodities. Os chineses argumentam que as compras de produtos básicos continuaram aumentando, o valor pago é que diminuiu. Para a OMC, nos próximos anos, com as reformas estruturais, a China vai entrar em uma nova etapa, caracterizada por crescimento econômico ligeiramente mais fraco (por volta de 6,5%) e mais focado em serviços e tecnologia. A entidade constata que, como o país é grande participante do comércio internacional, essa evolução terá impacto sobre o resto do mundo em razão do possível efeito sobre a estrutura das trocas. A passagem a uma estrutura de produção baseada em maior capacidade de inovação precisará de mais mão de obra qualificada e acesso às novas tecnologias. Isso necessitará "esforços de ajuste suplementar e uma abordagem de investimento mais focada no mercado, que terá o papel principal na alocação de recursos". A OMC avalia que as autoridades de Pequim estão conscientes dos riscos que persistem para o crescimento e desenvolvimento, como a alta da dívida, aumento dos custos de produção, financiamento insuficiente para as pequenas e médias empresas, produção excedente em certos setores da produção e penúria em outros, assim como obstáculos estruturais. Para enfrentar os riscos e conseguir um crescimento econômico estável no médio prazo, a OMC constata que as autoridades chinesas estabeleceram um plano para reforçar o papel do mercado, incluindo reforma fiscal, taxas de juro e de câmbio mais determinadas pelo mercado, por exemplo. De seu lado, Pequim lembrou que é atualmente o principal parceiro comercial de mais de 120 países e regiões. Também destacou a redução de excedentes de produção. Deu como exemplo a eliminação de 90 milhões de toneladas na produção de ferro e aço, 230 milhões de toneladas na produção de cimento e mais de 1 milhão de toneladas no alumínio produzido por eletrólise. A China promete "se esforçar para manter o crescimento econômico em um nível médio elevado". Face à nova situação, o governo quer favorecer um "desenvolvimento aberto". Pequim acena com novas medidas de abertura regional e ampliação de abertura de zonas internas e nas fronteiras. O governo chinês também promete acelerar a modernização do comércio exterior "e aplicar políticas de importação positivas", além de abrir "racionalmente" o setor de serviços, e fazer progressivamente a conversibilidade do yuan sobre as operações de capital.

FONTE PressReader

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